Os partidos políticos do brasil ignoram o uso profissional da internet

Publicado por: Redação
14/12/2021 06:23:42
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Cortesia Pexels
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Grande parte dos partidos políticos ignora o uso profissional da internet

 

A última eleição deixou um recado translúcido: uma grande parte dos eleitores preferiu dar seu voto a representantes com imagem desvinculada a partidos tradicionais. Os maiores exemplos se deram no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e na eleição presidencial, mas ainda assim podemos citar também São Paulo, Rondônia e Distrito Federal.

 

O anti-sistema foi o maior vencedor do processo eleitoral passado e tudo indica que se não houver mudanças drásticas na comunicação partidária, deverá prevalecer também nas próximas disputas.

 

Partidos políticos precisam se realinhar com suas ideologias para as próximas campanhas eleitorais

 

O enfraquecimento da imagem dos partidos vem acontecendo ao longo dos anos, não sendo fruto de um fato novo ou extraordinário. Ele é resultante do excesso de legendas, de coligações absurdas, de escândalos envolvendo as maiores legendas e medalhões, e também, pela falta de organização e comunicação profissional partidária.

 

As cláusulas de barreira devem reduzir o impacto do excesso de legendas, o fim das coligações proporcionais pode reconduzir os partidos a seus eixos ideológicos e regras de financiamento eleitoral, bem como, operações como a Lava Jato, tendem a diminuir o envolvimento de partidos com práticas ilegais. Restará aos partidos reconquistar o respeito dos eleitores ou assistirem ao seu próprio fim, que pode ser antecipado caso passe alguma lei que permita o lançamento de candidaturas avulsas.

 

A porta de comunicação mais eficaz hoje é a internet, que reúne eleitores de todos os aspectos ideológicos e de forma abrangente, mas os partidos ainda não entenderam isso direito. Para provar minha tese, fiz um levantamento com 14 partidos brasileiros, analisando sites, canais de Youtube e redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram).

 

 

Youtube

Facebook

Twitter

Instagram

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Fãs

Seguidores

Publicações

Seguidores

Publicações

DEMOCRATAS

102

10

3.385

170.516

153.108

2.898

6.905

1.770

MDB

782

341

71.634

79.196

436.559

32.846

11.850

2.649

NOVO

43.857

156

1.207.904

2.086.673

158.527

11.123

350.653

1.753

PDT

2.454

100

90.088

71.089

83.739

3.323

4.350

37

PODEMOS

338

37

19.200

28.619

761

401

5.207

302

PRB

2.693

404

358.047

115.048

11.673

17.447

16.222

2.022

PSB

1.417

472

247.516

180.855

135.957

11.944

9.345

461

PSD

556

379

95.374

79.194

38.111

22.819

PSDB

7.918

1.642

2.330.368

1.248.146

606.843

61.597

19.692

2.357

PSL

198.813

180

4.832.163

207.613

138.231

1.359

440.461

455

PSOL

4.307

126

123.490

454.608

268.486

22.535

143.374

711

PT

53.776

1.650

6.491.046

1.548.950

819.730

100.241

324.582

4.071

PTB

775

195

160.806

14.559

5.534

20.405

SOLIDARIEDADE

332

291

44.757

44.482

2.259

1.558

2.253

244

Clique para acessar a imagem da tabela, que inclui números dos partidos internacionais

 

Análise: sites, Facebook, Youtube, Twitter e Instagram

Começarei pelos sites, que teoricamente deveriam ser a âncora de conteúdo político e centros de informações que direcionam cidadãos para os demais canais de contato. Dos 14 analisados, oito aparecem como “não seguros” assim que você os acessa. Só isso já mostra a falta de entendimento sobre o poder da web, já que é um problema de fácil solução, bastando que o partido adquira um certificado digital para seu endereço virtual. Isso daria mais confiança ao usuário que acessa e também melhoraria o posicionamento dos conteúdos no Google, que é a principal ferramenta de pesquisa no mundo.

 

Mas, não para por aí. Quando comparados com sites de partidos internacionais – como o francês “En Marche!”, o alemão “CDU”, o espanhol “PSOE” e o estadunidense “Democrats” – os sites dos partidos brasileiros parecem feitos no quintal de casa. Partidos mundo afora já entenderam a necessidade de produzir conteúdo e disponibilizar ferramentas que são capazes de engajar pessoas em suas causas. Nas páginas brasileiras é raro ver um espaço destinado à filiação de forma profissional. Praticamente não há propaganda ideológica e nem loja de produtos do partido.

 

Para a maioria dos brasileiros fica evidente a pouca valorização do YouTube que, além de ser uma das plataformas de hospedagem de conteúdo mais conhecida no mundo, é também o segundo maior mecanismo de busca. Apenas seis dos partidos chegaram a personalizar seus endereços, quase todos não contam sequer com uma descrição em seus canais que explica o conteúdo e contenha links para seus outros canais. Isso sem mencionar que praticamente nenhum usa vídeos legendados, o que dificulta a exposição nos mecanismos de busca.

 

Mesmo o Facebook, que é uma espécie de vírus entre os políticos brasileiros, fica claro que apenas dois ou três investem com profundidade, por meio de produção regular de conteúdo exclusivo para redes. Outros partidos apresentam irregularidade e estão abaixo – bem abaixo – da marca de um milhão de fãs. Nenhum usa ferramentas de automação para cadastrar e mobilizar fãs e nem mesmo o Novo, que é o maior em volume de fãs, responde os comentários deixados na página.

 

Twitter ainda é utilizado, principalmente por PT, PSDB e MDB, que detêm o maior volume de seguidores e o maior de publicações também. Já o Instagram é território do PSL, do PT e do Novo, todos acima de 300 mil fãs. O MDB, o PRB e o Democratas produzem bastante conteúdo, mas estão abaixo dos 20 mil fãs.

 

Cabe um alerta aqui! Para o objetivo de comunicar melhor e atrair simpatizantes, não adianta inflar números nos canais, usando de robôs e contas falsas. Ao inflar os canais, as próprias ferramentas passam a exibir menos os conteúdos publicados.

 

O caminho é um só: é preciso passar a olhar a internet como um canal de comunicação completo, não um puxadinho da televisão ou de outros meios. Cada mídia tem um papel e o da internet é ser a liga entre o que um partido tem a dizer e o que um cidadão gostaria de saber. É uma questão de foco. Quem olhar para ela com mais atenção e dedicar esforço compatível sobreviverá. O restante sucumbirá ao anti-sistema e, lentamente, caminhará para a irrelevância.

 

Você pode se perguntar por onde começar ou como compreender este processo. Garanto que só com estudo e trabalho é possível mudar a realidade que retratei neste texto.

 

Por isso, recomendo que conheça o Guia do Marketing Político, uma plataforma de cursos sobre marketing político que funciona no sistema de assinaturas, assim como o Netflix. Lá você encontrará materiais sobre construção de conteúdosnarrativasuso de ferramentas e tudo o que precisa para construir um novo e sólido modelo de comunicação.

 

Originalmente Publicado por:

Marcelo Vitorino - Professor de comunicação e marketing digital no Centro de Inovação e Criatividade na ESPM, sócio da Presença Online e na Vitorino e Mendonça, consultoria de marketing político

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