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Autoridades e representantes de centrais de denúncias de outros estados devem aderir à 'Carta de Compromisso' que será lançada no próximo dia 22   O Disque-Denúncia do Rio de Janeiro, que está completando 20 anos, vai promover no próximo dia 22 o Enc...

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Disque-Denúncia do Rio de Janeiro lidera campanha nacional pelo desarmamento

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Publicado por: Redação
17/10/2015 07:21:15

Autoridades e representantes de centrais de denúncias de outros estados devem aderir à 'Carta de Compromisso' que será lançada no próximo dia 22

 

O Disque-Denúncia do Rio de Janeiro, que está completando 20 anos, vai promover no próximo dia 22 o "Encontro de Centrais de Denúncias – DD 20 anos", em solenidade no BarraShopping. A intenção é dar o pontapé inicial a uma campanha nacional pelo desarmamento.

 

A secretária nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão e o secretário de Segurança Pública fluminense, José Mariano Beltrame, estarão presentes, bem como representantes dos Disque-Denúncias de Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco e Espírito Santo. Eles e outras autoridades serão convidados a assinar a 'Carta de Compromisso' que será lançada na ocasião.

 

Neste documento, as Centrais de Denúncias se comprometerão a intensificar suas campanhas de estímulo às denúncias sobre armas de fogo com o objetivo de diminuir o poderio bélico dos traficantes e auxiliar os órgãos de segurança pública dos estados na elaboração de estratégias de inteligência para desarticular quadrilhas especializadas na comercialização de armas.

 

A 'Carta de Compromisso' é uma iniciativa liderada pelo Disque-Denúncia do Rio de Janeiro e vem dar apoio à proposta encaminhada ao Congresso Nacional pelo Secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, para aprimorar a política de controle de armas de fogo e munições, contida no Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003), endurecendo a pena para pessoas que forem flagradas com porte de armas de grosso calibre, de uso restrito das Forças Armadas.

 

“Por meio de informações recebidas pelo Disque-Denúncia a polícia do Estado pôde apreender, de janeiro a setembro deste ano, mais de 10 mil armas e cerca de 60 mil munições. Graças às denúncias anônimas chegamos a esses números, que representam mais de 80% do total de apreensões do Estado. Se falarmos apenas de fuzis e armas de grosso calibre, por exemplo, o aumento em relação ao ano passado é de mais de 51%. Nos demais Estados onde há centrais de denúncias, a quantidade de armas em poder de bandidos também é preocupante, sendo que alguns estados, inclusive, são rotas de passagem deste tipo de mercadoria.”, comenta Zeca Borges, coordenador do Disque-Denúncia do Rio.

 

Para comemorar seu 20º aniversário o Disque-Denúncia do Rio lançou recentemente a campanha “Bonde da Denúncia”, que estimula a população fluminense a denunciar esconderijos utilizados por traficantes para guardar armas ilegais. Por meio de um jingle, que está circulando nas redes sociais, os moradores são estimulados a colaborar para desarmar os bandidos e afastar as armas de sua comunidade.

 

O desarmamento é um desafio de interesse nacional e com o fortalecimento da parceria entre as centrais de denúncias é possível alinhar as estratégias de enfrentamento à violência. O Disque-Denúncia do Rio de Janeiro é referência em todo país e peça fundamental na política de Segurança Pública do Estado. Nestes 20 anos a central já recebeu mais de dois milhões de denúncias e serviu de inspiração para a criação de centrais em outros estados e até no Chile e na Argentina. São Paulo foi o primeiro a receber uma central de denúncias nos moldes do Disque-Denúncia do Rio, no ano 2000.

 

“O projeto inovador do Disque-Denúncia do Rio de Janeiro fez nascer o Disque-Denúncia 181 de São Paulo. E, assim como no Rio, somos esse importante canal onde o povo exerce a sua cidadania denunciando atos criminosos. Somos há 15 anos um elo de confiança entre a população e a polícia e não poderíamos deixar de dar nosso apoio à 'Carta de Compromisso'. Desta forma, firmamos nosso acordo em reunir esforços na luta pelo desarmamento”, diz Mário Vendrell Royo, gerente do Disque-Denúncia paulista.

 

O "Encontro de Centrais de Denúncias – DD 20 anos" será realizado no auditório do Centro Médico do BarraShopping, na Barra da Tijuca, no próximo dia 22 de outubro, das 9h às 16h30, e conta com o patrocínio do grupo Multiplan.

 

A abertura do evento será feita pelo Governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, pelo Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e pelo presidente do Grupo Multiplan, José Isaac Peres.

 

Diversas autoridades, empresários e representantes da sociedade civil estão sendo convidados para a cerimônia, entre eles Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, presidente da Firjan; Sergio Zveiter, deputado federal e ex-presidente da OAB-RJ; e os empresários Jorge Paulo Lehman e Roberto Medina, entre outros.

 

20 anos de combate à impunidade

 

O Disque-Denúncia do Rio de Janeiro foi criado inicialmente como uma central comunitária de atendimento telefônico destinada a receber informações da população, baseada na experiência internacional do Crime Stoppers. Ao longo de 20 anos recebeu mais de dois milhões de denúncias anônimas, consolidando-se como um canal de integração entre a população e a polícia.

 

Nos anos 1990, o Rio de Janeiro vivia uma onda de sequestros. Por isso, lideranças empresariais e comunitárias se uniram para ajudar as autoridades de segurança a enfrentar o problema. Já em 1995, quando nasceu o Disque-Denúncia, a polícia solucionou os sequestros dos estudantes Marcos Chiesa e Carolina Dias Leite por meio de informações precisas recebidas pelo Disque-Denúncia. Nos anos seguintes a polícia também prendeu sequestradores por meio de informações que chegaram à central. Com isso, o serviço se tornou um fator fundamental para que o número de sequestros caísse drasticamente no Rio de Janeiro, e também para que a redução da violência nessa modalidade de crime se tornasse significativa.

 

Ao longo dos anos, diversos casos de repercussão nacional foram solucionados graças às informações recebidas pelo Disque-Denúncia. Um deles foi o do jornalista Tim Lopes, torturado e morto por traficantes na favela da Vila Cruzeiro quando fazia uma reportagem investigativa sobre bailes funk financiados pelo tráfico no Complexo do Alemão em 2001. No ano seguinte, em 2002, 109 dias após o assassinato do jornalista, por meio de informações do Disque-Denúncia, a Polícia Civil prendeu o traficante Elias Maluco, um dos líderes da facção Comando Vermelho e responsável por ter ordenado a morte de Tim, sem disparar um único tiro.

 

O Disque-Denúncia também teve papel estratégico em 2008, ano em que as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) começaram a chegar às comunidades. Com as informações recebidas da população pelo Disque-Denúncia e repassadas em tempo real, a polícia pôde atuar no combate à migração de traficantes de uma comunidade para a outra. Já em 2010, a central recebeu 12.683 denúncias em vários dias de ataques de facções criminosas na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. No dia de uma megaoperação para a instalação da UPP nessa localidade o Disque-Denúncia recebeu 1.136 denúncias sobre a localização de marginais, armas e drogas, que chegavam com precisão e eram difundidas em tempo real para a polícia.

 

Hoje o Disque-Denúncia ampliou suas atividades e modalidades de serviços à população e se tornou peça fundamental na estratégia da Segurança Pública do Estado no combate ao crime. Por meio de diversas ações, criadas em parceria com órgãos especializados para chamar a atenção da população para assuntos específicos, o Disque-Denúncia recebe denúncias nos mais variados tipos de crimes – desde violência contra a mulher, a criança e o idoso, passando por furto de energia e crimes ambientais, até a localização de armas e drogas.


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