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 Essas e outras pautas foram defendidas por diversos ativistas e gestores durante abertura da III Conferência Estadual LGBT     Na noite de ontem (11), foi realizada a abertura da III Conferência Estadual LGBT da Bahia, no hotel Sol Vitória Marina, em ...

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Movimento LGBT unido por visibilidade, zero violência, saúde e inserção no mercado de trabalho

Publicado por: Redação
12/03/2016 20:52:07

 Essas e outras pautas foram defendidas por diversos ativistas e gestores durante abertura da III Conferência Estadual LGBT

 

 

Na noite de ontem (11), foi realizada a abertura da III Conferência Estadual LGBT da Bahia, no hotel Sol Vitória Marina, em Salvador, com a participação de cerca de 350 pessoas, entre autoridades, delegados e observadores de 38 municípios baianos. Durante a cerimônia, secretários de Estado e representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT) assinaram um protocolo de intensões para a construção de políticas públicas que garantam a ampliação dos direitos dos LGBT, especialmente relacionados à inserção no mercado de trabalho.

 

“Nós vivemos um momento difícil, um momento complexo, mas este momento é também uma oportunidade para a afirmação de uma cultura e de uma atitude em prol da diversidade, em prol da diferença, da alteridade, porque o mundo não pode caminhar para a padronização e para a mesmice”, defendeu o secretário da Justiça Social, Geraldo Reis. O gestor deixou como mensagem para a III Conferência uma frase do pensador português Boaventura de Souza Santos:  “Lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos discriminem. Lutar pelas diferenças sempre que a igualdade nos descaracterize” .  

 

Estiveram na abertura ainda os secretários Jerônimo Rodrigues, da pasta de Desenvolvimento Rural, de Turismo, Nelson Pelegrino, de Trabalho, Emprego Renda e Esporte, Álvaro Gomes, Luiz Mott, decano do movimento LGBT no Brasil e fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB), a ativista Rafaela Souza, trans do município de Vitória da Conquista, que representou o interior do estado, Thais Dumet, da OIT, Amélia Maraux, vice-presidenta da Conselho Estadual LGBT, entre outras autoridades e representantes do movimento.

 

Geraldo Reis aproveitou a oportunidade para convidar o professor Mott para uma agenda na secretaria para tratar das pautas, demandas e soluções propostas pelo movimento. Luiz Mott apontou em sua fala a necessidade de envolver as secretarias de Segurança Pública e de Saúde na pauta. “No Brasil, um LGBT é assassinado a cada 27 horas. E enquanto apenas 0,6% dos heterosexuais são infectados por HIV, entre os homossexuais a taxa é de 11%”, informou. “Que essa conferência traga propostas concretas para a aids e os assassinatos”. Mott apontou também alguns avanços do movimento, que já é tratado com mais dignidade pela mídia e pela abordagem policial do que há 36 anos, quando fundou o GGB.

 

Livres & Iguais - Realizada pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (Justiça Social) e pelo Conselho Estadual LGBT, com a poio dos movimentos da sociedade civil, a III Conferência LGBT foi aberta com o lançamento do vídeo Celebre o Amor, da campanha Livres & Iguais, da ONU, que apresenta o making of do casamento da cantora Daniela Mercury com a jornalista Malu Verçosa.  

 

“É uma satisfação saber que esse movimento está acontecendo na Bahia, principalmente no cenário político que a gente tem hoje, enquanto vemos o Rio de Janeiro acabar com quase todos os programas que tinha em prol da população LGBT, enquanto o Congresso Nacional quer nos destruir, e a gente sabe que a gente existe, vai continuar existindo, e vai continuar ocupando os espaços e se articulando para fazer valer nossos direitos”, disse que a oficial da OIT/ONU Thais Dumet.

 

Dumet leu uma mensagem de Daniela Mercury e Malu Verçosa, embaixadoras da campanha, enviada para a III Conferência, em que sinalizaram:  “Eu e Malu acreditamos no amor, independente de gênero. (...) Nessa sexta-feira de Oxalá, desejamos que nessa conferência avancem os direitos dos serem humanos. Estamos aí em pensamento”, escreveram.

 

Protocolo – Na oportunidade, os secretários Geraldo Reis, Nelson Pelegrino e Álvaro Gomes, além da representante da OIT/ONU, Thais Dumet, assinaram um protocolo de intensões para a formulação de execução de políticas públicas para os LGBT, especialmente voltadas à inserção no mercado de trabalho. “Aqui hoje vamos assinar um protocolo que é uma responsabilidade muito grande, porque trata dos sonhos de muitas pessoas. Nós somos força de trabalho. Nós temos competência, capacidade, criatividade, força e talento para ocupar os espaços de trabalho”, disse Dumet.

 

A coordenadora Geral de Proteção dos Direitos LGBT da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, a transexual Symmy Larrat, parabenizou o movimento LGBT no estado e lembrou que foi muito difícil que estados e municípios brasileiros quisessem realizar as conferências este ano, “nesse contexto de crise e num momento obscuro pelo qual passa o país. Os reacionários não têm mais vergonha ou medo de dizerem que são homofóbicos, que não querem a expansão dos direitos LGBT”.  

 

A superintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos da Secretaria da Justiça Social, Anhamona de Brito, reforçou que “a presença dos 38 municípios representados na conferência deve repercutir em cada um dos 27 territórios de identidade da Bahia, para que amplie essa luta de homens e mulheres que historicamente vêm abrindo espaço para fazer com que nossos interesses extrapolem essa caixinha e que esses direitos da população LGBT cheguem às ruas, ao nosso cotidiano”.

 

O ativista e coordenador de Políticas LGBT da mesma secretaria, Vinícius Alves, um dos organizadores e mobilizador do encontro, comemorou a participação dos municípios do interior: “dos 204 delegados e delegadas da conferência, 61% são do interior do estado, além das conferências territoriais terem acontecido em 11 territórios de identidade”.

 

Lançamento cartilha - Amélia Maraux, vice-presidenta da Conselho Estadual LGBT, lançou a cartilha “Nome Social na UNEB e Cidadania para pessoas Trans e Travestis”, trabalho de professoras e professores do Centro de Estudos de Gênero, Raça, Etnia e Sexualidade -Diadorim. “Que essa cartilha possa de fato espelhar uma luta de todas as pessoas, e que possamos pensar a educação como uma forma, de fato, de transformação social. Temos um longo caminho a percorrer”.

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