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Para o psiquiatra e pesquisador do Grupo de Estudos de Doenças Afetivas (GRUDA) do Hospital das Clínicas da USP, Dr. Diego Tavares, o diálogo com filhos deve incluir temas além de conversas sobre quais programas e jogos eles gostam de assistir e jogar,...

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Prevenção à depressão e ao suicídio começam dentro de casa

Publicado por: Redação
07/05/2017 12:29:29

Para o psiquiatra e pesquisador do Grupo de Estudos de Doenças Afetivas (GRUDA) do Hospital das Clínicas da USP, Dr. Diego Tavares, o diálogo com filhos deve incluir temas além de conversas sobre quais programas e jogos eles gostam de assistir e jogar, também como eles estão se sentindo e quais são os problemas que eles têm passado em suas vidas diárias. No último mês dois temas têm dominado as redes sociais e colocado luz sobre o universo adolescente: a série do canal pago Netflix, 13 Reasons Why, que aborda o bullying e o suicídio, e o jogo virtual A Baleia Azul, que trata da solução de desafios perigosos e até letais.

 

Para o psiquiatra e pesquisa dor em transtorno do humor (depressão e transtorno bipolar) Dr. Diego Tavares, criar situações de abertura para que os filhos se abram com os pais acerca de sentimentos negativos, depressão e ideias de suicídio são a solução para não serem surpreendidos com situações que envolvam risco de vida como o suicídio ou mesmo auto-mutilação. Segundo o psiquiatra, "É importante ressaltar que quem busca séries ou músicas com temas suicidas ou se envolve em um jogo como da baleia azul não está bem emocionalmente, é muito simplório dizer que o jogo ou a série induziriam estes pensamentos em um adolescente saudável". E continua "Muitos jovens deprimidos procuram mais conteúdos suicidas e depressivos na internet como busca de entenderem o que estão passando e numa dessas acabam sendo presas fáceis de jogos como estes que transformam o sofrimento em algo que parece um desafio ou uma competição".

 

A população geral tem a imagem de que a depressão é sempre aquele quadro lentificado em que a pessoa fica na cama, visivelmente triste, sem energia e descuidada por vários meses, mas o que não se fala é que a depressão em adolescentes pode ser um quadro muito diferente deste clássico. Segundo o psiquiatra "O jovem pode oscilação da depressão, isto é, períodos em que se sente profundamente triste ou irritado mas com melhora deste estado emocional dentro de alguns dias, são estados depressivos mais curtos e que mudam muito conforme o meio" e ainda "muitos podem ter depressão inclusive com ideias de suicídio mas com energia preservada e às vezes até com aumento de impulsividade, condição que torna o quadro depressivo imperceptível pelos pais aumentando a chance de eventos letais, isto porque a presença da energia aumentada faz com que ele não fique acabado ou com cara de deprimido".  

 

Manter o espaço para o diálogo aberto é essencial para que os pais possam compreender o que os filhos estão vivenciando e também para poder ajuda-los diante de dificuldades. “Na série, por exemplo, vemos que as personagens principais não têm liberdade para conversar com seus pais de forma clara e objetiva. Com isso, guardam para si situações dolorosas e que poderiam ter sido resolvidas juntos, com cuidado e atenção”, exemplifica o psiquiatra. Portanto, pais fiquem atentos e conversem com seus filhos, não julguem a priori se eles estão bem apenas pela impressão que eles passam, perguntem a eles como estão emocionalmente. A depressão no adolescente não fica estampada no rosto! 

 

FONTE: Dr. Diego Tavares

Graduado em medicina pela Faculdade de Medicina de Botucatu - Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FMB-UNESP) em 2010 e residência médica em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC-FMUSP) em 2013. Psiquiatra Pesquisador do Programa de Transtornos Afetivos (GRUDA) e do Serviço Interdisciplinar de Neuromodulação e Estimulação Magnética Transcraniana (SIN-EMT) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC-FMUSP) e coordenador do Ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos do ABC (PRTOAB).

https://drdiegotavarespsiquiatra.com/

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